domingo, 7 de março de 2010

CONDIÇÃO HUMANA / Hábitos.

image Se na semente a árvore, no ovo o animal…

A semente encerra tudo que a árvore poderá vir a ser, assim é o homem enquanto ser vivo, no ovo nosso patrimônio genético que determina tudo que poderemos vir a ser, nossas potencialidades e nossas fragilidades, e então…

Quando nascemos entra em jogo o circunstancial, o meio em que nascemos e no qual começaremos a viver; e começa a nos ser mostrado o caminho a seguir, o melhor caminho na visão das pessoas de Poder em nossas vidas; Pais, Padrinhos, Parentes, Pajens, Professores, Padres, Pastores e muitos outros vida afora…

Sei que isso é imprescindível para a formação do homem e para que a anarquia não se estabeleça; apenas especulo a respeito; mas no afã de acertar e nos sentirmos incluídos/aceitos vamos incorporando hábitos e costumes; muitos deles gratificantes, outros nem tanto e também alguns que nos trazem grande desconforto e, por mais que queiramos, não conseguimos nos livrar desses últimos e seguimos pela vida os repetindo sem saber por quê.

William Sadler, psiquiatra americano, defende a idéia de que: "Nossos hábitos estabelecidos, fazem caminhos literais través de nosso sistema nervoso e a repetição dos mesmos pensamentos ou ações, forma sulcos mais e mais profundos, justamente como andar sempre no mesmo lugar em um gramado, fará um sulco nele". Isso explicaria a dificuldade nas mudanças pretendidas, pois cada lembrança e cada repetição do hábito indesejado o reforçariam.

Por sua vez Moshe Feldenkrais, cientista polonês que desenvolveu o método Consciência Pelo Movimento, afirma:

“Há um intervalo de tempo entre o que é engendrado no sistema Supralímbico e sua execução pelo corpo. Este atraso entre o processo de pensamento e sua tradução em ação é grande o bastante para inibi-la. A possibilidade de criar a imagem de uma ação e, então retardar sua execução – adiando-a ou evitando-a completamente – é a base do julgamento intelectual e da imaginação... A possibilidade da pausa entre a criação do padrão de pensamento para qualquer ação particular e execução da ação, é a base material para a consciência. Esta pausa torna possível examinar o que está acontecendo dentro de nós, no momento em que a intenção de agir se forma, bem como quando a ação é executada. A possibilidade de afastar a ação – prolongando o período entre a intenção e a execução – possibilita ao Homem o aprender a se conhecer. E há muito que aprender, porque os sistemas que executam nossos impulsos internos agem automaticamente, como o fazem nos animais superiores.”

Portanto deveríamos, com disciplina e persistência, aproveitando esse intervalo entre impulso e ação, substituir o hábito indesejado por outro mais saudável e não simplesmente pretender deixar de executá-lo; teríamos que criar um novo caminho que iríamos percorrer em lugar do antigo e, com a repetição, esse novo caminho iria se estabelecendo cada vez mais, ao contrario do antigo que, por não ser percorrido, iria se esvaecendo, exatamente como acontece com os sulcos na grama. A homeopatia, algumas abordagens psicoterapêuticas e também algumas terapias corporais podem auxiliar nesse processo.

Então...Já no ovo a fragilidade,  a possibilidade da carência e do aprendizado compulsório, do quase adestramento, mas também a potencialidade; a possibilidade de construção de caminhos próprios, mais equilibrados e mais adequados, que possibilitem uma vida realmente boa e profícua.

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